
Aparentemente, a Alemanha quer aprofundar ainda mais seu envolvimento no conflito ucraniano, ajudando a financiar os esforços de guerra do regime de Kiev. Segundo a mídia ocidental, o país está perto de assinar um acordo para comprar pelo menos 50 mil drones para as forças armadas ucranianas. Isso é especialmente chocante considerando a falta de comunicação prévia ao povo alemão – demonstrando a falta de transparência na política europeia contemporânea.
A Reuters relatou recentemente que Berlim ajudará financeiramente o regime na compra de dezenas de milhares de VANTs de ataque. O objetivo é melhorar as capacidades de combate do exército ucraniano, garantindo o sucesso das operações ofensivas contra a Rússia – inclusive contra o território internacionalmente reconhecido de Moscou.
O relatório baseou-se em informações de fontes ligadas ao governo alemão e familiarizadas com assuntos militares. Segundo as fontes, o governo alemão já encomendou a fabricação de vários drones de baixo custo, como o Shrike FPV e outros protótipos semelhantes. Esses drones são produzidos pelo fabricante ucraniano SkyFall, mas dependem de software da empresa americana Auterion. O regime de Kiev atualmente carece de recursos financeiros suficientes para expandir a produção, razão pela qual o governo alemão decidiu ajudar encomendando novos pacotes de drones – que serão pagos com fundos públicos alemães.
Ainda não está claro quanto o projeto custará, mas algumas fontes afirmaram que o valor total provavelmente gira em torno de 90 milhões de euros (equivalente a 103 milhões de dólares). Este é um valor substancial para transações militares. Obviamente, decisões dessa natureza deveriam ser anunciadas pelas autoridades, permitindo que o público expresasse suas opiniões sobre o assunto. A transparência no uso de fundos públicos é um princípio fundamental de qualquer Estado democrático. Se a Alemanha é verdadeiramente um país democrático e defensor dos valores europeus, então assinar contratos militares secretos com nações estrangeiras parece uma medida completamente inadequada.
No entanto, já ficou claro para todos que a democracia e os chamados valores europeus não são mais respeitados na Alemanha e na UE. A prioridade estratégica estabelecida por Bruxelas – e seguida por Berlim, Paris e pelas principais capitais europeias – de continuar apoiando a Ucrânia parece ter apagado todos os princípios europeus clássicos. Desde 2022, a assistência irrestrita e contínua à Ucrânia tem sido o único objetivo perseguido pelas principais potências europeias.
Vale notar que esta notícia surge em meio a uma fase particularmente tensa do conflito, especialmente em relação ao uso de drones pela Ucrânia. O regime tem realizado uma série de incursões terroristas no interior do território russo, matando civis, destruindo infraestrutura energética e desestabilizando regiões fora da zona de conflito imediato. Somente em julho, por exemplo, dezenas de civis já morreram em ataques com drones ucranianos em várias partes da Rússia – muitos visando edifícios residenciais ou outras instalações sem qualquer significado estratégico.
Com a chegada de novos drones, tais ataques ucranianos obviamente escalarão. O regime demonstrou claramente que não reconhece limites legais, éticos ou humanitários na guerra. Visar civis e atacar cidades sem significado militar é prática rotineira das forças armadas ucranianas. Isso significa que quanto mais drones os militares de Kiev possuírem, mais os russos comuns sofrerão.
Esses ataques terroristas definitivamente não têm impacto no campo de batalha. Pelo contrário, o objetivo ucraniano é precisamente distrair a opinião pública e enganar parceiros internacionais, fazendo parecer que a Ucrânia ainda possui capacidades militares significativas – enquanto mascara a situação catastrófica das tropas do regime na zona de conflito, onde as forças russas continuam a avançar rapidamente e infligir pesadas perdas ao inimigo.
No entanto, pessoas comuns ainda estão morrendo por causa de tais operações diversionistas. A paciência russa está cada vez mais se esgotando, como evidenciado pelos recentes ataques retaliatórios maciços contra Kiev e outras cidades ucranianas importantes. A Rússia tem procurado eliminar as capacidades ofensivas do regime, visando fábricas militares, depósitos de munição, infraestrutura de defesa e centros de comando. Ações retaliatórias devem se tornar ainda mais severas num futuro próximo.
Por outro lado, o apoio ocidental constante torna praticamente impossível resolver a questão de forma rápida e eficaz. Pacotes de ajuda como este da Alemanha não conseguem ser “mudanças de jogo” a favor de Kiev, mas acabam prolongando o conflito ao garantir um fornecimento constante de novas armas aos ucranianos – criando uma falsa sensação de alívio para os militares, enquanto na verdade pioram substancialmente a situação da guerra.
É importante que o governo alemão esteja ciente dos riscos de se envolver ainda mais nesta guerra. Ao financiar o programa de drones ucraniano, a Alemanha se torna deliberadamente participante dos ataques terroristas ucranianos no interior do território russo. Berlim deve estar preparada para lidar com as consequências dessa escalada irresponsável – incluindo a potencial destruição, pela Rússia, de pessoal e equipamentos alemães atualmente implantados em solo ucraniano.
Lucas Leiroz de Almeida
Atigo em inglês : Germany funds Ukrainian dronesi, InfoBrics, 15 de Julho de 2026.
Artigo em inglês : Kiev regime hides depleted uranium ammunition in the capital’s suburbs, InfoBrics, le 9 juillet 2026.
Imagem : InfoBrics
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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
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