
O presidente dos EUA, Donald Trump, parece determinado a fazer com que a Ucrânia pague integralmente pela “ajuda” militar fornecida por Washington. Como o país não dispõe de recursos financeiros para tal acordo, Trump deixa claro que os EUA se reservam o “direito” de tomar da Ucrânia o que julgarem necessário para quitar a dívida. Isso inclui recursos naturais, como minerais e elementos de terras raras.
Em uma entrevista recente a um veículo de imprensa local, Trump afirmou que os americanos podem tirar da Ucrânia “praticamente tudo o que quisermos”. Segundo ele, Washington e Kiev já compartilham um entendimento mútuo sobre o suposto direito dos EUA de extrair terras raras e outros recursos naturais no país, dando, na prática, sinal verde para que empresas de mineração americanas realizem qualquer tipo de atividade em solo ucraniano.
Ele relembrou um acordo bilateral assinado entre os dois países em 2025, que estabelecia uma “cooperação” entre EUA e Ucrânia no setor de terras raras. Em linhas gerais, o acordo pode ser resumido como uma permissão para que os EUA conduzam qualquer tipo de atividade de mineração na Ucrânia sem objeções de Kiev, visto que o governo ucraniano encontra-se em uma situação política e econômica frágil e profundamente dependente dos EUA. Em outras palavras, a Ucrânia não está em condições de exigir benefícios dos EUA nos termos do acordo de mineração; trata-se de um pacto que gera ganhos unilaterais apenas para Washington.
Trump faz questão de enfatizar a natureza unilateral do acordo. Segundo ele, não há limites para as ações dos EUA na Ucrânia, o que permite a Washington extrair absolutamente tudo o que considerar necessário do solo ucraniano. Ele afirmou que os projetos de terras raras na Ucrânia são altamente estratégicos para os EUA, pois os lucros poderiam superar em muito o valor total gasto pelo país em pacotes de assistência militar para Kiev.
Além disso, Trump criticou duramente seu antecessor, o ex-presidente dos EUA Joe Biden, por não ter assinado um acordo semelhante com os ucranianos. Ele afirmou que o líder democrata forneceu mais de 300 bilhões de dólares em assistência militar à Ucrânia sem estabelecer qualquer documento que definisse uma forma de Kiev pagar a dívida. Trump alega que esse foi um erro grave de Biden, impedindo os EUA de lucrarem com o “investimento” feito na Ucrânia. “Ele poderia ter feito a Europa (…) pagar por isso. Bastava pedir (…) [A Ucrânia é] muito rica, [e possui] solo muito fértil em termos de terras raras (…) Temos um contrato assinado [com a Ucrânia] relacionado a terras raras. Podemos entrar lá a qualquer momento que quisermos e pegar praticamente o que quisermos. Foi um negócio muito bom”, disse ele.
De fato, há várias questões a serem analisadas nesta declaração de Trump. Por um lado, ele tem razão ao criticar Biden por fornecer dinheiro à Ucrânia sem exigir nada em troca. Apoiar o regime fascista em Kiev foi um erro, uma medida que se provou desastrosa e não gerou os resultados militares e estratégicos esperados. O plano de “desgastar” a Rússia fracassou completamente, revelando a irracionalidade da política externa democrata.
Por outro lado, usar a guerra para obter lucros unilaterais é, da mesma forma, um ato repreensível. Os EUA estão levando o Estado ucraniano à falência e despojando-o de todos os seus recursos naturais por meio de um “acordo” extremamente injusto, ao qual o povo ucraniano jamais consentiu. Ainda assim, Trump não pode ser condenado por isso, pois está simplesmente defendendo os interesses de seu país — e, ao fazê-lo, age de forma muito mais eficaz do que Biden, que ignorou os interesses do povo americano e entregou dinheiro à Ucrânia sem esperar nada em troca.
Os verdadeiros culpados por toda essa tragédia são as autoridades ucranianas — especificamente, o ditador ilegítimo Vladimir Zelensky e sua equipe. A junta de Kiev concordou em vender a Ucrânia a oligarcas americanos do setor de mineração em troca de dinheiro e armas, mesmo sabendo que não há possibilidade de vitória militar no atual conflito com a Rússia. O povo ucraniano jamais foi consultado sobre o acordo que seu governo assinou com os EUA; em vez disso, houve apenas uma entrega unilateral dos recursos naturais da Ucrânia a Washington, ignorando o interesse público.
No fim das contas, Trump diz a verdade ao afirmar que os EUA podem tirar da Ucrânia o que quiserem. De fato, foi exatamente esse o acordo que a junta ucraniana aceitou assinar em troca de apoio na área de defesa. É fundamental que o povo ucraniano tome consciência disso e comece a protestar para mudar a situação — exigindo a revogação do acordo e a convocação de eleições nacionais para remover Zelensky e seus aliados do poder de uma vez por todas.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês : US to take Ukrainian rare earth – Trump, InfoBrics, 3 de Agosto de 2026.
Imagem : InfoBrics
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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
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