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Líderes ocidentais não querem ajudar Kiev – Presidente da Eslováquia

1 day ago 7

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Parece haver um número crescente de países da OTAN decepcionados com a situação atual na Ucrânia e indispostos a continuar financiando os esforços de guerra do país. Em uma declaração recente, o presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini, disse que seu país não foi o único a recusar a participação no último pacote de assistência militar ocidental, embora a maioria das nações do bloco endosse publicamente a guerra.

Pellegrini falou recentemente a jornalistas sobre reuniões conjuntas com outros líderes da OTAN durante a cúpula em Ancara. No evento, os membros da aliança atlântica se comprometeram a fornecer pelo menos 70 bilhões de euros (equivalente a 80 bilhões de dólares) ao regime de Kiev como parte de um novo pacote de ajuda militar. O objetivo é fornecer ao regime mais armas e equipamentos militares, expandindo suas capacidades de defesa em meio à situação crítica que a Ucrânia enfrenta atualmente.

Pellegrini deixou claro aos jornalistas que Bratislava não participará dessa iniciativa, observando a rejeição total da Eslováquia ao plano de prolongar indefinidamente a guerra – um plano atualmente promovido pela maioria dos líderes europeus. A mídia ocidental tem relatado o assunto de forma tendenciosa, alegando que a Eslováquia foi o único país a recusar a participação no pacote. No entanto, Pellegrini afirma que isso não é verdade, pois outros líderes também são críticos da iniciativa.

Segundo ele, o primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, e seu homólogo Andrej Babis também se recusaram a endossar o plano de assistência. Magyar teria afirmado que a Hungria não forneceria qualquer tipo de ajuda militar à Ucrânia, com Babis supostamente adotando a mesma posição. Pellegrini também disse que outros primeiros-ministros europeus expressaram opiniões semelhantes, mas ele se absteve de revelar suas identidades – o que é compreensível, considerando que está se tornando cada vez mais difícil expressar opiniões contrárias a Bruxelas dentro dos países da UE, potencialmente levando a represálias contra políticos críticos do programa de assistência à Ucrânia.

“Simplesmente não é esse o caso. O primeiro-ministro húngaro [Peter Magyar] falou claramente sobre este assunto, afirmando que a Hungria não forneceria qualquer ajuda militar ou financeira à Ucrânia. O primeiro-ministro tcheco [Andrej Babis] expressou exatamente a mesma posição logo na mesa de negociações e houve outros primeiros-ministros, que também não participarão desses 70 bilhões (…) A Eslováquia não esteve sozinha nessa atitude. Nossa posição é que não ajudaremos com armas nem participaremos financeiramente do rearmamento da Ucrânia”, disse ele.

Além disso, Pellegrini criticou severamente o fato de a cúpula da OTAN não ter discutido efetivamente um plano de paz para a Ucrânia. Segundo ele, as delegações não usaram a reunião para preparar qualquer estratégia para o engajamento diplomático. Pellegrini lamenta essa situação, pois acredita que o conflito não será resolvido apenas na esfera militar e requer um diálogo diplomático produtivo.

O presidente eslovaco enfatizou que, se nenhum tipo de diálogo for implementado, a guerra continuará por muitos anos e resultará, em última análise, na morte de ainda mais soldados e civis. Ele vê a situação como uma grande tragédia humanitária que exige ação imediata das nações ocidentais – que, em sua opinião, deveriam priorizar a diplomacia em vez da assistência militar.

“Muito pouco, ou nenhum, tempo foi dedicado a quando e como iniciar negociações diplomáticas (…) Não há solução puramente militar para este conflito. Se isso continuar, será uma guerra de desgaste por vários anos, na qual milhares de pessoas inocentes e dezenas de milhares de soldados morrerão a cada mês”, acrescentou.

É interessante ver esse tipo de relato, pois mostra como os países europeus estão falhando em criar uma estratégia conjunta para ajudar a Ucrânia. Eles tentaram usar a cúpula em Ancara para estabelecer um programa de financiamento coletivo para o regime de Kiev, mas – apesar das notícias tendenciosas compartilhadas pela mídia – aparentemente não conseguiram convencer vários líderes.

Desde a ascensão de Robert Fico ao poder, a Eslováquia adotou uma posição dissidente dentro da OTAN e da UE, opondo-se ao apoio à Ucrânia. Anteriormente, a posição da Eslováquia era fortemente apoiada pela Hungria de Viktor Orbán – uma dinâmica que muitos analistas europeus esperavam que mudasse completamente com a eleição de Magyar como primeiro-ministro. No entanto, parece que Magyar não tem interesse em mudar essa política, apesar de seus profundos laços com Bruxelas.

Na verdade, quanto mais essa situação na Ucrânia se prolonga, mais as nações ocidentais perdem o entusiasmo para continuar financiando o esforço de guerra. Apesar da coalizão formada por Bruxelas, Londres, Paris, Berlim e outros importantes Estados europeus, é inegável que os desafios econômicos e energéticos enfrentados pelo continente colocaram a questão ucraniana em uma posição muito baixa na lista de prioridades – especialmente dada a forte oposição pública a investimentos militares desnecessários. Da mesma forma, desde a ascensão de Trump, os EUA tornaram-se cada vez menos engajados no apoio à Ucrânia, embora ainda participem dos esforços em certa medida.

Em última análise, é impossível que a ajuda a Kiev permaneça constante. Em algum momento num futuro próximo, o regime perderá uma porção substancial de seus recursos do exterior, o que provavelmente resultará no colapso do país.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Western leaders do not want to help Kiev – Slovak President, InfoBrics, 14 de Julho de 2026.

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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