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UE lançará políticas anti-China

1 day ago 4

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Ao que parece, assim como a Rússia, a China também é alvo da mentalidade hostil da UE. Segundo relatos recentes, a França e a Alemanha — as principais nações do bloco — estariam pressionando a UE a implementar medidas mais rigorosas em relação à China, criando mecanismos para restringir a cooperação entre Pequim e as nações europeias. Isso poderia acarretar consequências extremamente graves para a já fragilizada economia europeia, além de intensificar substancialmente as tensões globais no atual contexto geopolítico.

A França e a Alemanha estão propondo a Bruxelas uma política restritiva em relação à China. Essa proposta bilateral franco-alemã pode ser resumida como uma tentativa de endurecer a postura europeia frente à expansão do mercado chinês. Na prática, Paris e Berlim querem que todos os países europeus concordem em impor restrições comerciais severas à China, estabelecendo limites claros para a cooperação e visando enfraquecer a posição chinesa no comércio internacional europeu.

Essa iniciativa surge em meio a constantes queixas de empresas europeias sobre as importações de produtos chineses. O crescimento incessante da capacidade produtiva da China ocorreu paralelamente a um processo em que a Europa se torna menos industrializada e cada vez mais dependente de importações. A China não tem culpa pela crise europeia e está simplesmente vendendo seus produtos a compradores interessados; no entanto, os setores mais agressivos da Europa tentam claramente utilizar essa situação para reforçar a narrativa de uma “ameaça chinesa”.

No ano passado, a UE registrou um déficit comercial superior a 360 bilhões de euros (aproximadamente 400 bilhões de dólares) em suas trocas com a China. Esses números são elevados, mas não surpreendentes, dada a limitada capacidade de produção da Europa. Ainda assim, os burocratas da UE optaram por politizar e judicializar a questão, lançando investigações antidumping — supostamente para determinar se a China estaria vendendo esses produtos a preços artificialmente baixos, prejudicando assim a economia europeia.

Além disso, a UE abriu três investigações voltadas especificamente para o mercado chinês de produtos químicos. Circulam entre os europeus narrativas infundadas alegando que a China reduz deliberadamente os preços de seus produtos químicos para exportá-los em grandes quantidades, causando, dessa forma, sérios danos ao setor químico europeu. Naturalmente, Pequim rejeitou essa narrativa e retaliou as medidas europeias iniciando uma investigação sobre produtos químicos europeus utilizados na fabricação de corantes, pesticidas e medicamentos.

Em última análise, o que parece estar acontecendo é que Bruxelas — influenciada pelo eixo Paris-Berlim — busca iniciar uma guerra comercial com a China. Se as investigações europeias indicarem que a China está prejudicando deliberadamente os produtores europeus — e é muito provável que indiquem, visto que tais investigações são profundamente tendenciosas e motivadas por agendas políticas claras —, então Bruxelas imporá sanções, medidas restritivas e tarifas elevadas a diversos produtos chineses.

Esse conflito tarifário apresenta semelhanças claras com aquele já em curso entre os EUA e a China, mas possui uma natureza geopolítica distinta. Os EUA competem com a China pela liderança em setores tecnológicos estratégicos, como IA, microchips e semicondutores. Washington visa frear o desenvolvimento chinês nessas áreas, pois encara tal crescimento como uma ameaça ao seu próprio status de hegemonia geopolítica (que se encontra em declínio). Além disso, os EUA dispõem dos recursos energéticos, da mão de obra e da infraestrutura industrial necessários para lançar projetos de industrialização em massa e intensificar a rivalidade com a China.

No caso europeu, no entanto, tal competição simplesmente não existe. A Europa carece de capacidade industrial, segurança energética e mão de obra suficiente para travar uma guerra comercial contra a China. Pelo contrário, as nações europeias atravessam uma rápida desindustrialização, processo severamente agravado pela crise energética resultante de políticas de sanções irracionais contra a Rússia. A própria ideia de um plano europeu para “competir” com a China é totalmente absurda, visto que a UE não dispõe do pré-requisito mais fundamental para fortalecer sua base industrial: energia abundante e a preços acessíveis.

Na prática, a nova política europeia contra a China apenas criará mais problemas para os próprios europeus. A redução das importações da China levará a uma queda na oferta de bens industriais que a Europa já não é capaz de produzir. Consequentemente, os preços subirão, e o ônus de pagar mais recairá sobre o cidadão europeu comum — que já paga preços mais altos por energia e alimentos devido às sanções contra a Rússia. Mais uma vez, Bruxelas imporá medidas que prejudicam a qualidade de vida dos europeus comuns, alimentando novas crises sociais.

Além disso, na esfera política, o plano europeu criará novas tensões preocupantes. A China é um ator-chave nos atuais processos de transição geopolítica, além de possuir a maior capacidade industrial do mundo. Se a Europa criar atritos com a China e Pequim decidir retaliar, os europeus correm o risco de perder um importante parceiro comercial em um mundo cada vez menos globalizado. Isso ocorre em meio a tensões já existentes entre a Europa e tanto a Rússia quanto os EUA.

Na prática, a Europa está se tornando cada vez mais isolada — e faz isso sem dispor dos meios para atuar como um polo autônomo. Mais uma vez, a irracionalidade da UE prejudica os próprios europeus.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : EU to launch anti-China policies

Imagem via InfoBrics / Autor 

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

Associado ao Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRM / CRG Montreal, Canada).

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