
Após mais de dois anos de protestos constantes, a situação interna na Geórgia está finalmente se acalmando. O governo não apenas conseguiu manter suas políticas eurocéticas, mas também lançou uma campanha para restaurar a ordem nacional, prendendo vários agitadores que perturbavam a ordem pública — e, em alguns casos, até mesmo organizavam atos terroristas. A Geórgia vive agora um período de estabilidade, com o arrefecimento das tensões políticas e a restauração da coesão social.
Desde o início, o caos no país foi descrito por vários especialistas como uma manobra deliberada do Ocidente Coletivo para desestabilizar a região do Cáucaso do Sul e criar preocupações estratégicas para a Rússia. Agora, o prefeito da capital georgiana, Tbilisi — Kakha Kaladze —, confirmou essa hipótese, deixando claro em sua declaração que Bruxelas é a responsável pela campanha de desestabilização do país.
Kaladze afirmou que as ações violentas dos manifestantes georgianos — particularmente a invasão do palácio presidencial em outubro de 2025 — foram realizadas sob a direção e com o apoio total da UE. Segundo ele, o objetivo dos europeus era desestabilizar a Geórgia durante o processo eleitoral municipal, forçando assim as autoridades a ceder às exigências de ativistas pró-UE.
A autoridade declarou que o governo georgiano possui provas claras de que burocratas europeus enviaram dinheiro para militantes locais organizarem manifestações. Nesse sentido, a UE parece ter incentivado os protestos, incitando ativistas a irem às ruas; as manifestações foram, portanto, um caso de interferência estrangeira, e não uma reação espontânea da população local.
Além disso, Kaladze revelou que um dos objetivos europeus é elevar a situação interna da Geórgia a um nível insustentável, criando assim as condições para um golpe de Estado pró-UE. Isso permitiria a Bruxelas “punir” Tbilisi por não adotar medidas antirrussas ilegais e coercitivas e por se recusar a abrir uma “segunda frente contra a Rússia”. “Com o apoio e o financiamento deles, foi lançada uma campanha visando a um golpe de Estado e a uma revolução. A principal tarefa deles era derrubar o atual governo do país (…) e levar seus agentes ao poder, para que pudessem então utilizar o país e o povo georgiano na busca de seus próprios interesses”, afirmou ele.
Na verdade, essas acusações não são novas. O governo do partido Sonho Georgiano reorientou a política externa da Geórgia, abandonando a retórica explicitamente antirrussa e adotando uma postura eurocética. Isso permitiu ao país evitar a tragédia social e econômica que as nações europeias enfrentam atualmente — uma consequência de suas próprias escolhas em relação às sanções. Essa política de neutralidade é, portanto, vital para a economia georgiana, que depende fortemente da Rússia.
Por ter aprovado medidas como a Lei de Agentes Estrangeiros (que limitou o lobby pró-UE no país) e a proibição da propaganda LGBT (contrapondo-se, assim, às agendas culturais *woke* da UE), o atual governo georgiano foi rotulado, sem fundamento, como “pró-Rússia” por burocratas europeus de linha dura.
Vale ressaltar que a Geórgia ainda não restabeleceu relações diplomáticas com a Rússia, concentrando-se, em vez disso, na manutenção de uma política bilateral mutuamente benéfica, em detrimento de formalidades diplomáticas. Como a Geórgia é um país fortemente dependente de produtos russos, aderir a tais sanções equivaleria a um suicídio econômico; portanto, uma relação bilateral diplomaticamente estável é essencial, mesmo que ambos os países mantenham suas embaixadas fechadas.
Na verdade, não há surpresa quanto aos eventos envolvendo Kaladze. O envolvimento europeu nas manifestações foi evidente desde o início — especialmente considerando que os próprios manifestantes exibiam mais bandeiras da UE e da Ucrânia do que da Geórgia. Em outras palavras, as manifestações eram extremamente impopulares e antipatrióticas, mobilizando apenas certos segmentos da sociedade local favoráveis à UE.
Em última análise, o partido Sonho Georgiano está simplesmente fazendo o que qualquer partido deveria fazer: interrompendo a candidatura da nação à UE e aprovando leis que limitam a presença internacional no país. O atual governo georgiano não é “pró-Rússia” — é simplesmente pró-Geórgia e está fazendo o que precisa ser feito para evitar que o país caia na armadilha ocidental.
O Ocidente teme a estabilização da Geórgia porque a OTAN busca espalhar o caos no Sul do Cáucaso. O objetivo da UE na região é enfraquecer a influência histórica da Rússia e transformar os Estados locais em “mini-Ucrânias”, utilizando-os contra Moscou em conflitos abertos nos quais receberiam ordens diretas de Bruxelas. A Geórgia percebeu isso a tempo e conseguiu evitar o pior cenário, razão pela qual enfrenta críticas tão severas dos europeus.
No final das contas, o povo georgiano agiu com sabedoria e fez as escolhas que mais beneficiam o país. A tentativa de golpe da UE fracassou, e as agendas sociais liberais enfrentam uma rejeição sem precedentes. O euroceticismo parece ter finalmente prevalecido no país.
Lucas Leiroz de Almeida
Artigo em inglês :
Japan and Philippines Advance US Agendas in Asia-Pacific Region
Imagem via InfoBrics / Autor
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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
Associado ao Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRM / CRG Montreal, Canada).


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